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Aventura
 
 
Postado em 18/3/2008

Pedalando Sonhos - Puerto Montt

Por Marcos Martins
marcosmartins@globalexchange.com.br

Foram 12 horas de ônibus partindo de Santiago até Puerto Montt. A estrada era razoavelmente plana, asfaltada e com muitos carros. O tipo de lugar onde não me interessava pedalar. Não gosto de estradas de asfalto, nelas me dá vontade de ir rápido, os carros passam o tempo todo em alta velocidade me fazendo sentir como uma tartaruga. Além disto, os carros fazem barulho, me assustam e roubam aquela sensação de contato com a natureza . Ou seja, quanto mais isolada e primitiva for a estrada, maiores são as emoções ao pedalar nela.

Nas estradas de terra há poucos carros e é mais emocionante pedalar. É necessário negociar com o caminho, buscar a melhor trilha para a bike, com menos buracos. Isso ocupa bastante a mente, e as descidas se transformam em uma aventura de verdade pois se você for rápido demais ou não conseguir evitar um buraco maior, pode levar um tombo e se machucar, o que não é muito agradável, especialmente se você estiver sozinho em uma estrada com pouco movimento.

As condições da estrada variam o tempo todo, às vezes o caminho parece até asfalto de tão bom, e às vezes é péssimo e você acaba quase se arrependendo de estar ali fazendo aquele "programa de índio". Se chover então, pior ainda, a estrada pode ficar péssima.

Mas estes momentos ruins passam rápido, e servem para contrastar e aumentar a alegria dos momentos bons, e gerar uma incontrolável vontade de "quero mais". Viajar de bike vicia, mas também é uma atividade que você ama ou detesta. Se a idéia te parece um pouco tentadora, é bem provável que você se apaixone irremediavelmente, e com pouco dinheiro possa realizar muitas viagens.

Bom, voltando ao assunto, Puerto Montt é uma cidade portuária com 110.000 habitantes e um lugar exótico para quem está chegando no Chile. há muitas casas de madeira e de telhas de zinco. Nunca havia visto casas de zinco, é realmente muito interessante, é um material leve, fácil de trabalhar e protege a madeira do excesso de umidade. As paredes de algumas casas são totalmente cobertas de zinco.

Puerto Montt serve como base para se explorar a região dos lagos chilenos e também para visitar a Ilha de Chiloé, que na língua dos índios Mapuche que habitam a região, quer dizer "Terra de Gaivotas". É também de Puerto Montt que saem barcos com destino a Puerto Natales e Punta Arenas, no sul da Patagônia

Tanto na ilha de Chiloé quanto em Puerto Montt, a cultura é intimamente ligada ao mar, e Puerto Montt é famosa pela grande quantidade de restaurantes de frutos do mar. Há também um grande comércio de artesanato, concentrado na zona do porto.

Chegando à cidade fui para uma hospedaje lotada de Israelenses, que sempre encontram os lugares mais baratos para se hospedar. Dividi um quarto com uma sul-africana que havia acabado de voltar da Antártida e me contou sobre a sua viagem . Ela falou que o lugar é simplesmente fantástico, incrivelmente bonito, e que é possível fazer a viagem em barcos da marinha chilena ou em veleiros que levam turistas. Entretanto os preços eram demasiado caros para mim e por isso nem me permiti sonhar com uma esticada até lá.

No dia seguinte fui pesquisar os preços e opções para chegar ao sul da Patagônia. A viagem de barco era a opção mais interessante, demorava três dias e passava bem perto da costa, que é toda recortada por fiordes e tem enormes glaciares que terminam no mar. A paisagem é maravilhosa e intocada pelo homem . Essa viagem é muito popular entre os viajantes, e portanto uma maneira ideal para encontrar pessoas interessantes. A passagem custava 160 dólares, para dividir um dormitório com 25 pessoas, e as refeições estavam incluídas. O destino final era a cidade de Puerto Natales, a apenas 150km do Parque Nacional Torres del Paine.

Apesar disto, optei pelo avião, que custou 100 dólares e me levou até Punta Arenas, 250km mais ao sul de Puerto Natales, e no extremo sul do continente americano. Optei pelo avião pois simplesmente não aguentava mais esperar para começar a pedalar.

No dia seguinte pela manhã cedo peguei o avião. Eu não esperava nada especial deste vôo mas o visual lá de cima foi simplesmente fantástico. Sobrevoamos o Campo de Gelo Sul, a maior concentração de geleiras fora dos Pólos, com uma área de 14.000km quadrados. Eu nunca havia visto geleiras grandes antes, pareciam estradas brancas, azuis, e cinzas cortando as montanhas. Mas é difícil descrever, as dimensões são enormes. Às vezes as geleiras terminam no mar e cobrem uma área enorme com icebergs.

Marcos é empresário e realiza viagens e expedições de aventura há 16 anos, tendo visitado 33 países. Escreve para o GEx sobre viagens de aventura.

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