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Postado em 4/6/2006

Aquecimento Global e o Risco Coronariano

Há muito tempo busco relações causais para a questão coronariana. É incrível como é fácil traçar uma análise de perigos e identificar os riscos potenciais da coronariopatia.

O fumo, a genética, o sedentarismo, a falta de exercícios, a alimentação, o estresse, a poluição dos grandes centros urbanos, enfim quase tudo contribui para que a incidência da esclerose se estabeleça e as artérias sejam obstruídas.

Na verdade, é muito difícil diagnosticar com precisão qual a contribuição de cada fator de risco para o evento indesejável de um potencial infarto. Porém, o certo é que a inflamação das artérias é a conseqüência óbvia da sinergia dos fatores de riscos, tornando-se assim a causa principal da obstrução das artérias.

A profilaxia para a redução das inflamações arteriais é a mais correta das ações para a redução do risco do infarto, porém, não deve ser tratada de forma isolada. O ideal é atacar todas as causas quando possível.

Vejo continuamente as formas como a questão do aquecimento global está sendo tratada, diagnosticada e seus potenciais impactos previstos. O aquecimento global é a conseqüência de uma série de fatores. É o equivalente a inflamação das artérias. Se não cuidarmos, mais cedo ou mais tarde o evento indesejável acontecerá.

A revista VEJA publicou meses atrás semana uma longa matéria sobre os terríveis efeitos do aquecimento.

Pasmo ao ler que o autor da matéria atribui pouquíssimo valor às ações das mudanças comportamentais  individuais na redução do aquecimento.

O óbvio do óbvio é o Protocolo de Quioto e a apática redução estabelecida pelas nações, excluso os Estados Unidos que nem sequer foi signatário do Protocolo. O Protocolo e seus mecanismos financeiros, movimentam a plêiade de consultores e corretores ambientais para vender ou comprar créditos de Carbono, no afã  de uma suposta postura ética da sociedade em abater emissões e controlar o efeito estufa.

Para mim nada reverterá (se ainda for possível) a tendência do aumento de temperatura global, se algo coletivo não for estabelecido. O mundo continua a crescer. O número de consumidores também aumenta a cada ano e o consumo de bens e serviços de grande intensidade de emissões de Carbono é real.

A esperança é fechar a caixa de Pandora e promover uma ampla gestão comportamental em relação aos impactos de um mundo totalmente desigual.

O paradoxal é que se as pessoas excluídas das atividades econômicas e o balanceamento social, vierem para o consumo, precisaremos de muitas Terras para absorver todas emissões. Se todos consumirem da mesma forma que o leitor deste artigo, certamente precisaremos de mais do que 4 Planetas Terra para absorver as respectivas emissões relacionadas ao consumo.

Esta equação não fecha, sem o controle da natalidade e da população mundial e sem uma redução drástica do nível de consumo e uma mudança radical.

Seria como se nada pudéssemos fazer para impedir as inflamações do endotélio.

A verdade é que precisamos de um mundo mais simples com inovações voltadas para a eficiência energética e a produção de bens básicos para a grande massa populacional que adentrará ao mercado global.

O impossível é escalonar o consumo global ao nível dos mais ricos. Não resistiríamos a uma década, se todos Chineses e Indianos possuíssem um carro nos próximos anos.

Como resolver isto?

A governança global há de mudar, eliminando vieses locais, regionais e continentais para passarmos a tratar dos temas de forma mais holística dos habitantes da Terra, afinal é a espécie humana que tratamos de preservar, junto com todos ecossistemas não é verdade?

A saúde, a alimentação, a educação; a energia, o clima  e enfim se todos estes temas fossem tratados com o uso de recursos proporcionais ao PNB das nações focados nas soluções globais, talvez pudéssemos redefinir o papel das Nações Unidas e estabelecer uma nova governança. Dar chance para que qualquer indivíduo, nascido no planeta tenha as mesmas probabilidades e acessos para a sua vida.

Só há uma saída, destituirmos nosso egoísmo e contribuir para uma mudança global focada no comportamento e no respeito ao Homem, seja ele nascido em qualquer parte do planeta.

Eugenio Singer
eugenio@globalexchange.com.br
Eugenio Singer é empresário e ambientalista. Sócio Fundador da ERM Brasil e do Instituto Pharos, organizações que dirige, é Membro do Comitê Idealizador do Instituto DNA Brasil e tem participado em vários Fóruns Nacionais, entre eles o de Diálogos Sustentáveis da Embaixada Britânica e o de Cidadania Empresarial da FIEMG. Publicou recentemente o livro Governança Costeira : O Brasil Voltado para o Mar. Eugenio Singer escreve para o Global Exchange na área de Sustentabilidade e Mudanças Climáticas.

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