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Postado em 14/3/2006

O que o Gado tem a ver com a Corrupção?

Se este fosse tema de um workshop, como o Fórum Somos ou Estamos Corruptos ? realizado pelo Instituto DNA Brasil, em Campos de Jordão - São Paulo em Outubro do ano passado, certamente obteríamos a maioria das respostas óbvias para este tema. Lá, 50 pensadores nacionais discutiram as raízes e a genética da corrupção e indicaram 19 idéias para combatê-la, algo que nos aflige de maneira crônica e contundente com a revelação do "Valerioduto".

Com certeza, muitos iriam lembrar também que é no gado que se lava dinheiro, que as "Fazendas Boi Gordo", geneticamente modificadas para o "Fazendas do Avestruz", são grandes exemplos de fraudulência e corrupção, já que ambos empreendimentos lavaram e levaram milhares de investidores a perder bilhões de Reais.  Outros, talvez, iriam além, insinuando que a própria carne bovina talvez seja um motivo de especulação sobre o tema.

Os jornais acabam de publicar denúncias sobre o incremento da venda da carne brasileira na Europa, alegando que este fato está diretamente associado ao trabalho escravo, o que caracteriza um outro tipo de corrupção, a social!

Na verdade, a maioria das pessoas procura sempre plausíveis razões para justificar os problemas, dedicando pouquíssimo tempo a buscar, na face oculta de cada um deles, alguma revelação mais inovadora. Como diz o rabino Nilton Bonder, é o oculto do óbvio.

Considerando a interdependência de fatos e notícias, hoje no mundo virtual tudo está interligado e, no fundo, se analisarmos a questão do gado seremos capazes de sequenciar o DNA da corrupção.

Após o inusitado evento da "vaca louca" e, mais recentemente, da "gripe aviária", a população européia, com extrema razão, tornou-se exigente no quesito da segurança alimentar. Ou seja, além dos fatores nutricionais de sua dieta, balanceando proteínas, carboidratos e vitaminas, a maioria dos europeus quer mesmo é estar certa da qualidade da origem: o que é e de onde vem o seu alimento?

Este frenesi pela segurança alimentar (e daí se entende melhor a cadeia de serviços e o porque do embargo da nossa carne devido à febre aftosa), levou a Comunidade Européia a desenvolver protocolos rigorosíssimos para rastrear a origem dos alimentos, sejam horti, fruti ou bovinos. Estes protocolos são coordenados pela EUREPGAP, uma espécie de ISO ou ABNT para os alimentos (aqui no Brasil temos o equivalente SISBOV, do Ministério da Agricultura).

A rastreabilidade bovina na cadeia de suprimentos garante, de certa forma, a segurança alimentar (ainda existe uma grande vulnerabilidade no sistema face às sabotagens, terrorismo, etc.). É ela que nos diz a origem do produto - desde onde nasceu o boi, que vacinas foram tomadas, por quais pastagens passou, o que comeu, quem era o dono, à qual fazenda pertencia e quais as condições do abatedouro, dentre tantos outros fatores de risco e, paradoxalmente, de segurança alimentar. A rastreabilidade pode inclusive ir além, identificando em que mesa foi parar aquele lote de carne.

O sistema é complexo, mas com uma ferramenta simples: o brinco na orelha do boi permite a implementação do processo de rastreabilidade e das boas práticas agrícolas para garantir a qualidade da carne ao consumidor.

Muitos leitores devem estar pensando que nós estamos propondo colocar "piercings" nos corruptos e rastreá-los nos seus hábitos, para aí chegar à origem do problema. Quem pensa assim, está mais do que certo! Um dos "piercings" da rastreabilidade da corrupção já existe, fica na carteira e não na orelha, e se chama "cartão de crédito".

Os cartões de crédito já possuem até mesmo, suas derivações, como os "cartões de incentivo", cartões alimentação entre outros. Este negócio movimenta bilhões de dólares e todo delinqüente tem o sonho, em vida de "clonar" alguns cartões, fazendo surgir, então, a cadeia de serviços do crime organizado de um sistema propositalmente desorganizado.

A rastreabilidade bovina, portanto, pode nos indicar um belo caminho para identificar um dos instrumentos de prática da corrupção.  Não é difícil acreditar que os órgãos competentes já não façam tal controle. Nós, consumidores, certamente questionaremos sobre a privacidade, o sigilo bancário etc.. Mas, se não cometemos crimes, não há o que temer! O que é mais nefasto para o país do que a corrupção? Qual a parcela do PIB que é drenada, anualmente, devido a esta prática? Será que não vale um trade of de menos sigilo por menos corrupção?

Certamente, existem outros tantos meios para fazer o rastreamento, e os órgãos competentes muito bem os conhecem. Alguns destes instrumentos já são rastreados com a declaração de Imposto de Renda, a conta bancária, as escrituras de imóveis e os documentos de propriedade de veículos e artigos de luxo como barcos, cavalos de corrida, jatos particulares, dentre outros tantos. O processo só não é democrático e revelado a todos, bem como protege os poderosos, com seus competentes e bem pagos, advogados. Parece bizarro, mas como é difícil incriminar um corrupto neste país!

O que necessitamos, agora, é definir um protocolo: o "BRASILPAC" - Protocolo de Rastreabilidade de Práticas Anti Corrupção, para combatê-la e aprender com o próprio boi - que se compromete em vida doando a sua própria carne para alimentar boa parte da população mundial - a promover um mundo mais justo e honesto. A sociedade só precisa definir qual a instância que cuidará do tema, afinal, aqui no Brasil tem boi que nunca viu uma pessoa, como tem pessoa que nunca comeu carne de boi.

* Eugenio Singer é empresário no ramo de consultoria, membro da holding do Grupo SEMCO, do conselho da ERM Brasil, do Conselho Fiscal da ABDL - Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Lideranças, presidente do Instituto Pharos e do comitê idealizador do Instituto DNA Brasil. Eugenio escreve periodicamente para o Global Exchange sobre ecologia e desenvolvimento de cidades sustentáveis.

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